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O Poder Judiciário na mira da sociedade*

Janeiro 25, 2011

POR DORA MARTINS
RADIOAGÊNCIA NP

Votamos a cada quatro anos, e todo ano sofremos a tristeza de ver brasileiros e brasileiras perderem a vida por descura do poder público. Desastres das chuvas de janeiro se repetem há décadas e ficamos, no fundo, todos impotentes, tristes, revoltados, e à espera que tudo, de novo, aconteça. Falta-nos lembrar de todas essas desgraças na hora do voto, na hora de exigir o que é devido daqueles que colocamos no Poder, para que façam por nós o que sabemos que deve ser feito.

A participação da sociedade na condução das políticas implementadas pelo Estado deve ser estendida e cada vez maior, pois é o único modo de se avançar com a democracia.

O Poder Judiciário foi alvo de uma larga pesquisa feito pelo IPEA, em 2010, e dela obteve a baixa nota 4,55. Com isso, está dado o recado: o Poder Judiciário precisa ofertar ao povo brasileiro um novo formato de justiça, e que a prestação dela se dê de forma correta, eficiente e no tempo certo. Faz-se necessária a urgente reforma política ampla, que abranja todos os poderes do Estado e que cada Poder atue de modo a garantir o bem estar dos cidadãos.

No foco das reformas políticas que abrangem o Judiciário, está o Supremo Tribunal Federal.  Hoje, ele que é órgão máximo do Poder Judiciário, cuida de questões várias, advindas dos demais tribunais estaduais e federais.

Um dos pontos da reforma que se espera é que o STF cumpra apenas seu papel maior, qual seja um tribunal constitucional, que cuide de nossa Constituição com exclusividade e profundidade, pois está ela repleta de nossos mais caros princípios que devem defendidos quando atacados e garantidos quando postos em risco.

A presidenta Dilma nomeará, durante seu mandato, pelo menos três ministros do STF. Para poder disputar uma vaga de ministro do STF, o candidato ou candidata deve ter “mais de 35 e menos de 65 anos, ter notável saber jurídico e reputação ilibada” (art. 101 da CF). Assim sendo, a nossa Presidenta pode contribuir com a reforma política, desde já, sem muito esforço, e sem vulnerar seu poder no processo de nomeação do novo ministro ou ministra.  Basta que ela dê transparência e democratize esse processo de nomeação. Para tanto pode a Presidenta Dilma divulgar e dar publicidade dos nomes dos candidatos e candidatas ao cargo do STF. Com isso, será possível ao cidadão brasileiro, suas entidades de classe, suas associações debaterem e se manifestarem, formalmente, sobre os candidatos e candidatas ao cargo de ministro. Afinal, o que almejam esses candidatos e candidatas é, nada mais nada menos, ser a voz da Justiça brasileira, em seu mais alto patamar.

Com tal proceder, a nossa Presidenta estará prestigiando a participação social na construção da democracia brasileira. Permitir que o povo conheça, discuta, opine e seja ouvido é valorizar a cidadania em seu grau mais relevante.

É direito do cidadão saber o que o candidato ou candidata a ministro do STF pensa, como agiu e age ele ou ela na defesa dos princípios constitucionais e quais são seus compromissos com a construção de uma sociedade menos desigual e mais garantidora da dignidade humana.

É hora, pois, de nossa presidenta fazer a história. E, você, cidadão ou cidadã, faça sua parte. Mande mensagens para a Presidente Dilma, e peça essa transparência no trato com questões tão fundamentais.

Dora Martins é Integrante da Associação Juízes para a Democracia. No site da Radioagência NP é possível ouvir sua voz, na estreia de Contraponto, “o programa de opinião da Radioagência NP“.

*Título com que o texto foi republicado no blogue da revista CartaCapital.

Nota de solidariedade da Cáritas Arquidiocesana de São Luís

Junho 18, 2010

CÁRITAS BRASILEIRA ARQUIDIOCESANA DE SÃO LUIS

SOLIDARIEDADE PELA VIDA

São Luís, 18 de junho de 2010

“Eu vi muito bem a miséria do meu povo e desci para libertá-lo”

A Cáritas Brasileira da Arquidiocese de São Luis vem a público manifestar solidariedade a Manoel da Conceição, ao deputado federal Domingos Dutra e à ex-deputada federal Terezinha Fernandes pela bravura com que, fazendo greve de fome, expressam rejeição e protesto contra a decisão do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores em intervir no processo democrático de escolha de candidatos petistas no Estado, obrigando-os a aliar-se à oligarquia que há mais de quatro décadas controla o Estado do Maranhão e que o levou aos piores índices sociais do país.

Assim, compreendendo o nobre gesto de Manoel, Dutra e Terezinha como um protesto em favor da coerência que sempre defenderam em seu partido, em respeito às causas sociais e às suas lutas de vida, manifestamos nosso profundo respeito às suas dores e decepções.

Em nomes dos mártires da caminhada, especialmente Pe. Josimo Moraes Tavares, que foi vitima do latifúndio comandado pelos coronéis que vitimaram tantos lavradores e lavradoras no Maranhão, é que respeitosamente nos indignamos com tudo o que passam esses nossos irmãos que tanto fizeram pelo povo do Maranhão e do Brasil.

Por tudo isso, a Cáritas Arquidiocesana de São Luís coloca-se ao lado desses bravos lutadores do povo, em defesa da vida, da democracia e justiça social.

Terezinha Moura
Presidente da Cáritas Arquidiocesana

Erisvan Loureiro Bastos
Secretario da Cáritas Arquidiocesana