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‘Amizades com desembargadores’ mantêm empresário livre, diz juíza

Julho 5, 2010

CASO EUROMAR

Depois das declarações do desembargador Bayma Araujo, em 2009, de que juízes maranhenses vendiam sentenças a políticos e “achacavam” empresários, agora é a juíza Oriana Gomes quem dirige petardos contra o TJ-MA

POR OSWALDO VIVIANI

Mais uma vez o Poder Judiciário do Maranhão é posto na “berlinda” por um de seus próprios integrantes. Depois das declarações do desembargador Antonio Fernando Bayma Araujo, em janeiro de 2009, de que juízes maranhenses vendiam sentenças a políticos e “achacavam” empresários locais, agora é a juíza Oriana Gomes, da 10ª Vara Criminal, quem dirige petardos contra o TJ-MA.

Para a magistrada, o empresário Alessandro Martins de Oliveira – que teve sua prisão preventiva decretada por Oriana na quarta-feira (30), e desde então não mais foi visto na capital maranhense – só não foi preso até agora graças às “relações de amizade” que tem com desembargadores do Maranhão.

“Quanto a este réu, não resta dúvida que está a zombar da Justiça, pois seus depoimentos na própria CPI não deixam dúvidas de que, confiante nas suas relações de amizades com desembargadores e na impunidade, solto, obstaculizará a realização da instrução criminal”, diz um trecho do mandado de prisão formalizado por Oriana Gomes.

Em outro trecho, a magistrada repete um argumento dos promotores de Justiça José Augusto Cutrim Gomes (Ordem Tributária) e Lítia Cavalcanti (Defesa do Consumidor), autores do pedido de prisão do empresário: “[…] A impunidade do denunciado Alessandro Martins vem causando junto à sociedade um descrédito em relação ao Poder Judiciário […] principalmente por o mesmo ocupar um elevado status social e exteriorizar sinais de riqueza ilícita, criando um falso juízo de que a lei foi feita somente para alguns menos afortunados”.

Os trechos do mandado de prisão expedido pela juíza Oriana Gomes foram publicados na sexta-feira (2) no blog do jornalista Itevaldo Júnior.

Na quinta-feira (1º), policiais chefiados pelo delegado Lucas Ribeiro Filho, da Delegacia da Fazenda (Defaz), e os promotores Augusto Gomes e Lítia Cavalcanti fizeram buscas nas duas lojas da Euromar na capital maranhense e em duas residências de Alessandro, localizadas na Ponta do Farol (edifício Palazzo) e na Ponta d’Areia (edifício Two Towers), mas não encontraram Alessandro Martins.

O advogado do empresário, Gláucio Costa, informou à imprensa que já entrou com pedido de habeas corpus no TJ-MA para que seu cliente – que ainda não foi condenado pela Justiça – permaneça livre.

Alessandro Martins é acusado de, por meio da Euromar, adquirir veículos em nome de locadoras, sem conhecimento das mesmas, para não pagar os impostos necessários, vendendo os automóveis, dessa forma, a preços bem mais baratos do que os concorrentes. O fato envolveria funcionários do Departamento Estadual de Trânsito do Maranhão (Detran-MA), que atuariam no esquema na hora da realização do emplacamento dos carros.

Uma contestada Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso foi instalada na Assembléia Legislativa do Maranhão em 27 de março de 2009. Três meses depois, foi divulgado o relatório final da Comissão, que indiciou Alessandro Martins e outras doze pessoas por vários crimes.

Jornal Pequeno, 4 de julho de 2010