Archive for Maio, 2012

Morre em Rio Branco Naldo Andrade, ex-assessor da Cáritas

Maio 31, 2012

Foi encontrado morto em seu apartamento em Rio Branco/AC, o sociólogo Naldo Andrade, ex-assessor dos secretariados Minas Gerais e Nacional da Cáritas Brasileira. Atualmente ele era professor da rede pública no Acre. De acordo com informações repassadas ao secretário executivo da Cáritas no Maranhão, Ricarte Almeida Santos, ele teria sido vítima de um ataque cardíaco fulminante.

Ricarte lamentou a perda e afirmou que a família está encontrando dificuldades para fazer o traslado do corpo até o interior do Pará, estado de origem de Naldo Andrade. “Fica aqui meu pesar profundo pela perda prematura de um querido irmão e amigo”, manifestou-se por e-mail.

Em sua conta no Facebook, a jornalista Renina Valejo, da Rádio Senado, ex-assessora de comunicação do Secretariado Nacional da Cáritas, lembrou de Guimarães Rosa ao homenagear o amigo com quem trabalhou: “”As pessoas não morrem, ficam encantadas”, como disse Guimarães Rosa, que você amava tanto, da terra que você adotou como sua. Vai, menino encantado! E receba todo nosso amor, onde você estiver”, postou.

Joa Merklein, que trabalhou com Naldo Andrade no projeto Reciclando Vidas, projeto de que o último foi coordenador nacional, também manifestou-se por e-mail: “Ainda estou totalmente impactado, pois Naldo foi um companheiro de luta com quem tive a oportunidade de trabalhar mais de uma vez. Aprendi muito com ele pela forma discreta e a referida irreverência, pela coragem e seu desprendimento, pela vontade de viver e de olhar para o mundo e se colocar nele”.

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Nota sobre a violência no Maranhão

Maio 2, 2012

Ainda não nos restabelecemos de notícias de dois assassinatos ocorridos em nosso Estado num espaço de poucos dias e já nos confrontamos com outras barbaridades: a morte de Mauro Mariano Santana, que não era nenhuma liderança camponesa incômoda aos interesses do latifúndio como era Raimundo Alves Borges (Cabeça), nem um jornalista polêmico como Décio Sá. Era um simples carroceiro cortando o capim para seu animal, morto por policiais. Poucas horas depois, é noticiado o assassinato do policial João de Jesus Lobato Santana, vítima de assalto no aterro do Bacanga e logo em seguida nos choca a violenta agressão à líder indígena Maria Amélia Guajajara, que denunciava os crimes que estão ocorrendo na sua região em Barra do Corda.

“Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.” Assim está formulado o artigo 3º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Temos visto este artigo sendo desrespeitado continuamente, mas de forma trágica e bárbara nos últimos dias, meses, anos. Torna-se uma chaga crônica. Como Conselheiros incumbidos com a promoção da defesa e do respeito aos Direitos Humanos, não podemos ficar simplesmente assistindo estes fatos se multiplicando.

Há uma necessidade premente de buscarmos as causas profundas de tal situação: estão na forma como as terras, as riquezas naturais, as oportunidades em nosso Estado estão sendo apropriadas e concentradas, deixando a massa de fora? As desigualdades crescentes formam uma barreira para que uma “paz social” se instaure? É a cultura do “mais forte que leva” a vantagem, a rivalidade, a concorrência, a falta de padrões éticos de respeito ao outro? A falta de uma “cultura”, portanto, de convivência pacífica com o diferente? Isso se aprende em escolas e num sistema educacional preparado e através de meios de comunicação que não promovem a violência e vida briguenta! Ou será que é a impunidade e a passividade de instâncias que devem garantir a justa repressão e reeducação daqueles que violaram os direitos dos outros? Haverá possivelmente outras causas, mas que devem em conjunto ser enfrentadas. E isso implica a cooperação solidária de todas as instâncias que foram instituídas para servir à sociedade.

Por isso, esperamos das autoridades um compromisso com a população e suas necessidades cotidianas em primeiro lugar, aquilo que se costuma chamar de “inclusão social”. São necessárias medidas educativas que alterem o estresse social com valores culturais diferentes daqueles que a mídia nos apresenta. Acabar com a violência implica em políticas que proporcionem a equidade e o respeito à integralidade da vida de todas e todos.

Mas, neste momento, exigimos a apuração minuciosa de todos os crimes com o mesmo rigor e utilizando igual aparato. Que sejam tomadas medidas preventivas para que outros casos violentos não ocorram. Que sejam afastados policiais envolvidos em atos violentos. E que após processos céleres aconteça uma exemplar punição dos que comprovadamente abusaram de sua força e de seu poder.

São Luís, 30 de abril de 2012

Jean Marie Van Damme
Presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos do Maranhão

Um convite do Maranhão à FENAJ

Maio 2, 2012

Neste dia 1º. de maio, uma data simbólica, em que são prestadas homenagens a todos os trabalhadores e trabalhadoras do mundo, nós queremos convidar uma comissão da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), para que ela venha ao Maranhão. Informamos, inicialmente, que o grupo do senador José Sarney (PMDB), o atual presidente do Senado Federal, dá claros sinais de que quer desviar o assunto em relação à morte do jornalista Décio Sá, que era funcionário das empresas de sua família.

Afirmamos isto, em cima de dois pontos específicos, que nós queremos abordar francamente e eles nem tanto.  O primeiro é sobre quem matou o jornalista? E, principalmente, por que mandaram matar? A opinião pública quer saber quem foram os pistoleiros, os mandantes e, também, as suas reais motivações. E, logicamente, quer que seja feita Justiça!

Quanto ao segundo ponto, nós maranhenses queremos discutir, denunciar e superar, a nossa terrível realidade social e política, que possibilita, frequentemente, vários crimes parecidos como este, por ação de pistoleiros. A diferença é que a repercussão é infinitamente menor e as vítimas são quilombolas, sem terra, índios, sindicalistas rurais, assentados, lavradores e demais pessoas da nossa grande periferia, que vivem bem longe da dita “civilização”. Além destes crimes, existem verdadeiros casos de genocídios, contra índios, quebradeiras de coco e quilombolas.

Assim está a nossa terra! Então, num estado marcado pela violência política, pelos piores indicadores sociais do país, pelo trabalho escravo e pela grilagem de terras, é importante deixar claro que, nos causa extrema repulsa, ouvir a hipocrisia das autoridades locais, falando em “liberdade de imprensa” e de “democracia”. Aqui no Maranhão, um herdeiro da ditadura pós-64, ainda exerce seu poder a partir de fraudes e golpes, com um imenso e brutal monopólio dos meios de comunicação, em estreita aliança com o latifúndio assassino e se beneficiando, contribuindo e garantindo a inaceitável degeneração moral do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.

Dessa forma, concordamos com as recentes declarações do jornalista Emilio Azevedo (da coordenação do jornal Vias de Fato) dadas a “Rádio Brasil Atual” e reproduzida no site da FENAJ. É verdade que, do ponto de vista político, no Maranhão “prevalece à barbárie”. É também correta a afirmação de que, o recente assassinato do jornalista do Sistema Mirante é um “reflexo do ambiente pouco civilizado da nossa região”.

Porém, diante de uma aparente hesitação da Federação em relação a este assunto e a estas opiniões, nós estamos fazendo este convite público. Venham para o Maranhão! Venham conhecer este pedaço do Brasil profundo! Lugar onde, infelizmente, ainda prevalece, em diversas situações, a lei do quero, posso e mando. Onde muitas atrocidades acontecem, sem a presença adequada do “estado democrático de direito“ e bem longe do acompanhamento de uma mídia verdadeiramente decente. Em alguns casos, quando o Estado se manifesta, é para emitir liminares de despejos, tão rápidas, quanto suspeitas.

Um momento que seria muito oportuno para a presença de uma comissão da FENAJ no Maranhão, seria o próximo dia 10 de maio, quando haverá uma audiência de instrução referente ao processo pelo assassinato do quilombola Flaviano Pinto Neto, executado barbaramente com sete tiros na cabeça, no dia 30 de outubro de 2010, por conta de sua luta pela terra. Mais uma vítima da pistolagem.

Venham! Vindo aqui, verão que não nos envergonha, nem um pouco, que falem das nossas misérias. Nossa indignação é contra aqueles que promovem esta situação lastimável. São eles que se incomodam com a verdade! Eles, os verdadeiros responsáveis por nossos problemas estruturais!

Esperamos também que, em nome de uma verdadeira liberdade de expressão e de um debate realmente democrático, esta nossa manifestação pública seja acolhida, também, nos canais de comunicação ligados a esta Federação.

São Luís, 1º. de maio de 2012

Pastoral da Comunicação do Maranhão
Comissão Pastoral da Terra (CPT-MA)
Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH)
Cáritas Brasileira Regional Maranhão
Conselho Indigenista Missionário (CIMI-MA).
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST-MA)
Movimentos dos Quilombolas da Baixada Ocidental Maranhense (MOQUIBOM)
Irmãs de Notre Dame de Namur em São Luís (MA).
Comitê Padre Josimo