Depoimentos de moradores do Vinhais Velho emocionam participantes do Almoço da Resistência

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Aula Pública deve marcar articulação de pesquisadores na preservação da memória do Vinhais Velho

CRISTIANE MORAES
ESPECIAL PARA O TRIBUNAL POPULAR DO JUDICIÁRIO

Para o governo de Roseana Sarney basta preservar a Igreja de São João Batista

Representantes de entidades e moradores do Vinhais Velho participaram ontem (18), do Almoço da Resistência. O almoço foi mais uma atividade de articulação da sociedade civil contra os despejos e desapropriações por conta da obra da Via Expressa.

Participaram do almoço entidades como a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), Cáritas Brasileira Regional Maranhão, Cáritas Arquidiocesana de São Luís, Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Maranhão (OAB/MA), Movimento Sem Terra (MST), Comissão de Justiça e Paz, Irmãs de Notre Dame, Conselho Indigenista Missionário (CIMI), entidades estudantis,  além de políticos e jornalistas. Na fala de todos os participantes, a indignação pela violência contra a memória do patrimônio da Vila Vinhais Velho. A professora do Departamento de História da Universidade Federal do Maranhão(UFMA), Antonia Mota, lembrou a importância de se preservar a história do lugar, que sobrevive no modo de vida dos moradores do Vinhais Velho. Um dos mais antigos bairros de São Luís, abrigou no século XVII a primeira missão dos padres jesuítas do Norte do Brasil. A missão tinha estrutura de porto, capela, escola para o ensino de ofícios aos índios e a vila indigenista. “Não se pode passar uma estrada por cima da história”, ressaltou a professora.

Até agora, foram confirmadas cinco ações de desapropriações e três ordens de despejo. Seu Olegário Batista, de 77 anos, descendente de índios que viveram na região, em poucas palavras traduziu seu sentimento diante da ordem de despejo que recebeu: “… eu disse prá ele. Se o senhor fizer um cheque de cinco milhões, eu não vou sair.” Seu Olegário nasceu no Vinhais Velho e entre os vizinhos estão seus filhos, netos e bisnetos. “Em outras áreas atingidas pela obra da Via Expressa vamos lutar por indenização justa. Mas o Vinhais Velho não luta por indenização e sim pela preservação do patrimônio”, afirmou o Deputado Federal Domingos Dutra.

Os moradores foram comunicados que as ordens de despejo devem ser cumpridas no prazo de cinco dias. “Eu fiquei decepcionada. Como vou morar debaixo da ponte com os meus filhos?”, Odinéia Ribeiro falou emocionada ao microfone. Do Almoço da Resistência saíram alguns encaminhamentos para os próximos dias. A partir de amanhã [hoje, 19] representantes de entidades devem começar a acampar no local para reagir frente às ordens de despejo no local e sensibilizar as autoridades. Como parte do calendário de mobilização está prevista para o sábado (21) uma reunião de pesquisadores que devem iniciar um estudo do local e levantamento de toda a história do Vinhais Velho. “Não se pode realizar uma obra como essa antes de um laudo antropológico e arqueológico,” ressalta o antropólogo Ernesto Gomes. Na oportunidade está prevista uma “aula pública” sobre a memória do lugar com exibição de vídeos. A recuperação da história da antiga Vila Vinhais deve acontecer como mais um ato de resistência da sociedade civil contra o modelo de desenvolvimento que não respeita, sobretudo, o patrimônio humano.

O quê: aula pública Memória do Vinhais Velho
Quando: sábado (21), às 18h
Onde:  Granja do Japonês (Rua Grande, nº. 90, Vinhais Velho)

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