TG Agroindustrial desrespeita direitos trabalhistas em Aldeias Altas/MA e cria clima de tensão e terror contra a greve dos cortadores de cana

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A TG Agroindustrial, uma megaempresa do ramo de produção de açúcar, álcool e biodiesel, situada às margens da rodovia Prof. Ricardo Costa Pinto, Km-22, Água Branca, município de Aldeias Altas/MA, vem sendo denunciada por violação dos direitos trabalhistas em relação à cerca de 600 trabalhadores cortadores de cana que prestam serviços à empresa e que estão em greve desde o último dia 2 de setembro.

Em reunião realizada com agentes da CPT/Coroatá, estiveram presentes mais de trinta trabalhadores cortadores de cana que fizeram relatos sobre o tratamento que a TG Agroindustrial atribui aos trabalhadores e ao clima de terror e abuso de poder que a própria empresa instalou no município, por não admitir que os trabalhadores reivindiquem seus direitos. Segundo os trabalhadores a situação é grave e confirmam as ocorrências que seguem.

Histórico – Em 2007, houve uma paralisação por motivos semelhantes e que foram mal resolvidos. Atualmente, o Poder Executivo local e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, estão coniventes com o esquema de super-exploração da mão de obra assalariada, que se apresentam desde as péssimas condições de trabalho aos descontos arbitrários nos vencimentos dos trabalhadores. A TG Agroindustrial está usando todos os seus meios de influência, colocando a seu serviço todos os aparelhos do Estado, inclusive o Ministério Público de Caxias (Comarca que responde por Aldeias Altas) e toda a estrutura de polícia da Força Tática e GOE, no sentido de reprimir quaisquer manifestações públicas ou reuniões dos trabalhadores. No dia 3 de setembro, no momento em que os cortadores de cana da empresa saíram às ruas para tornar público o que estava acontecendo nos canaviais, a empresa usou a força máxima da polícia, desrespeitando todos os princípios constitucionais de liberdade de expressão. Nessa investida militar, cerca de vinte trabalhadores foram feridos, entre eles Edvan Mendes dos Santos, que recebeu um balaço na perna. Até o momento, o hospital municipal tem se recusado a emitir um boletim médico sobre as causas dos ferimentos. Os demais foram espancados pelos policiais que lançaram bombas de efeito moral e balas de borracha. Nos primeiros 15 dias do mês, vários trabalhadores foram presos, inclusive em suas próprias residências, sem que houvesse ou que pelo menos fosse apresentado algum mandado judicial de prisão. No último dia 14, dois trabalhadores – Enaldo Santana da Silva e Evaldo – foram arbitrariamente presos porque foram comunicar o caso ao Ministério Público do Trabalho, em Brasília; no mesmo dia já se encontravam presos na Delegacia de Polícia de Caxias os trabalhadores conhecidos como Motozinho, Bombom e Codó.

Ilegalidades – Ainda segundo os trabalhadores, a TG Agroindustrial costuma reter a carteira de trabalho dos trabalhadores na empresa por vários meses e até ano (o que segundo a lei trabalhista é ilegal) e usa um sistema duvidoso de registro de diárias, chegando a pagar em muitos casos R$ 2,50 por dia trabalhado. Há  quem confirme ter recebido até R$ 1,50, enquanto se diz que o valor da diária seria em torno dos R$ 15,63. Em casos de doença não comunicada à empresa pelo trabalhador, o mesmo deve pagar pelo dia não trabalhado. Em muitos casos, segundo os trabalhadores, a empresa não reconheceu as condições de saúde precária dos trabalhadores.

Violência – Sempre há presença de capatazes no campo de trabalho. Disfarçados de fiscais, eles usam agressão verbal contra os trabalhadores. Em 2007, um trabalhador foi carbonizado no canavial e a TG Agroindustrial teria abafado o caso para evitar repercussões negativas. A assistência médica obedece o esquema de privilégio para aqueles que desempenham funções mais elevadas na empresa, sendo que a maior parte dos trabalhadores está nos canaviais há muitos quilômetros de distância. Nesse sentido, o único transporte disponível é o que eles chamam de “busão”; um ônibus mecanicamente precário e lento, que levará o doente até a usina onde fica localizada a ambulância. Segundo os trabalhadores são constantes os casos de exaustão excessiva no meio dos canaviais: na maior parte do dia, as temperaturas ficam entre 40ºC e 43ºC.

A TG Agroindustrial controla 75 mil hectares de terra no município de Aldeias Altas e, como denunciado pelos trabalhadores e confirmado pela equipe da CPT, o processo de desmatamento de cocais e cerrado, incluindo muitas espécies de árvores como o pequizeiro e o bacurizeiro, praticamente extintos na região, ocorre de forma acelerada. A expansão da cana atinge com muita facilidade as margens de rios e igarapés, quase todos represados para acumulo de água para a irrigação intensiva.

Tensão – A equipe constatou que em Aldeias Altas o clima é muito tenso. Alguns trabalhadores estão escondidos, pois a qualquer momento podem ser presos arbitrariamente. Nossa reunião teve que ser rápida para não sofrer retaliações da polícia. Foi fácil perceber na fala de muitas pessoas a angústia e insatisfação em relação às condições de exploração e maus tratos que a TG Agroindustrial, em virtude do lucro e do capital, vem oferecendo aos filhos da terra.

A situação ainda se complica para os trabalhadores por conta do isolamento da cidade, distante dos meios de comunicação, de um poder público comprometido com a justiça e, sobretudo, pela ausência de parceiros. A maioria desses trabalhadores é de analfabetos ou semianalfabetos, o que implica uma série de dificuldades quanto ao processo de articulação e organização da luta.

[Denúncia recebida por e-mail da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Coroatá/MA. Edição: Zema Ribeiro]

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6 Respostas to “TG Agroindustrial desrespeita direitos trabalhistas em Aldeias Altas/MA e cria clima de tensão e terror contra a greve dos cortadores de cana”

  1. Guilhermina Says:

    Até quando teremos que conviver com situaçãoe com essa? Parece que todos que tem poder resolveram se instalar aqui. A ceteza da impumidade no Estado do Maranhão se contitui num fator de atração às grandes empresas. Enquanto os maranhenses são tratados como estrangeiros em sua própria terra. Povo maranhense acordemos e nos solidarizemos a favos de nós mesmo! Já chega de sermos tratados como objetos.

  2. Nascimento Júnior Says:

    O TRIBUNAL POOULAR DO JUDICIARIO É UM GRANDE MARCO NA HISTORIA DO MARANHÃO, SEM CONTAR QUE OS MOVIMENTOS SOCIAIS DO MARANHÃO É ANFITRIÃO DA INICIATIVO DO TRIBUNAL, NAVEDADE O JUDICIARIO DO MARANHÃO É UMA VERDADEIRA BERRAÇÃO, ESSE DISIBARGADORES NÃO TEM NEM VEGONHA NA CARA DE ESTÁ SE CHIGANDO NA SESSÃO DO TJ E AINDA SE JUSTIFICA QUE É NOMAU.

  3. ADRIANO Says:

    SOU DE ALDEIAS ALTAS ONDE OCORREU ESSE CASO E AFIRMO QUE TUDO ISSO FOI VERDADE!! E ESTOU ENVERGONHADO POR MINHA CIDADE SER PALCO PRA ESSES GRANDES PALHAÇOS FAZEREM SEU ESPETÁCULO DE DESRESPEITO AOS DEREITOS HUMANOS!
    ME ENSINARAM NA ESCOLA QUE A PRINCESA ISABEL ACABOU COM A ESCRAVIDÃO QUANDO ASSINOU A LEI AUREA MAS NA VERDADE OS ESCRAVOS NUNCA FORAM LIBERTADOS!! PORQUE VIVEMOEM UM PAIS
    ONDE MANDO O DINHEIRO E AS ALTORIDADES SE DEIXÃO DOMINAR PELOS MAIS RICOS E INFLUENTES ECONÔMICAMENTE!

  4. Fabio de Sousa Almeida Says:

    Essa nova direção que esta na TG-Agro INdustrial é desumana, obriga seus trabalhadoresdo campo, que todos sabem que é um serviço pesado, e o certo é folgar o sábado e domingo mas ele obriga a presterem serviço no sabado e o pior até 30:30da tarde e muitos moram fora de Aldeias, em Caxias em Codo, e suas famílias como ficam cade a assistemcias deses pais?Isto é crime

  5. Fabio de Sousa Almeida Says:

    Quero saber se as turmas de topografia são obrigadas a trabalharem no sabado até 3:30, gente isso é um absurdo,esse pessoal teem familia, sabado e domingo são dias sagrados pra eles estarem com suas famílias,isto mé escravidão,liberem esse pesoal sexta 5:30 para irem pra suas casas.Aguardo resposta.

  6. Almeida Says:

    NA VERDADE, A ATUAL GESTÃO DA TG ESTÁ MERGULHANDO ELA NUM ABISMO SEM FIM. OS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA E DO CAMPO ESTÃO DESORIENTADOS COM A ATUAL GESTÃO. É INACREDITÁVEL COLOCAR ALGUÉM QUE NÃO CONHECE NADA DE ÁLCOOL, NEM DE PESSOAS, PARA ADMINISTRAR UMA FÁBRICA, E AINDA DEIXAR QUE ELE RESPONDA POR TUDO. AG ANGRA QUER OQ? FECHAR A FÁBRICA?

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